Centro de Interpretação Ambiental
A Prof.ª Mariana realizou, com a turma de Questões Climáticas, uma visita de estudo, que nos permitiu conhecer o património natural, histórico, cultural e económico da
região Oeste e Ribatejo, focando-se na Serra de Montejunto e na vila de Alenquer. Entre Porto Alto e Samora pudemos apreciar as belas rotundas com referências culturais do Ribatejo como: o campino com "choca" a acompanhar o touro, homenagem aos campos, aldeias Avieiras de pescadores e ainda sobre o Rio Sorraia e Raia.
Parámos na Abrigada, que se destaca pelo cultivo de vinhas e festa das vindimas. Conhecemos a casa e a história da Florzinha de Alenquer ou Florzinha da Abrigada (Sãozinha), associada a relatos de milagres e obras de solidariedade, das quais se destacam: lar de Idosos e Creche para crianças institucionalizadas.
De seguida deslocámo-nos até ao Centro de Interpretação Ambiental aonde pudemos ver um pouco de toda a história da Serra de Montejunto e a célebre Real Fábrica do Gelo através da informação exposta neste Centro. A Serra de Montejunto é uma área natural muito importante com vários tipos de árvores como: Pinheiro bravo, pinheiro manso, (que constitui a maior mancha contígua da Europa) e Eucalipto. Ainda vegetação rasteira como: medronheiro, carrascos, Zambujeiros, Zimbros, Aroeiras, e sobreiros (produtores de cortiça).
As florestas, com todo a ajuda para reduzir o dióxido de carbono, atualmente já não conseguem compensar toda a poluição produzida pelo ser humano.
Existem na serra Moinhos de Vento antigos, hoje parados devido à pouca quantidade de cultivo de Milho e trigo.
Um dos locais mais interessantes foi a Real Fábrica do Gelo, construída em 1741, sendo mais tarde vendida a Julião Pereira de Castro, um empreendedor e visionário comerciante com empreendimento semelhante na Serra da Lousã por 45.000 cruzados. A fábrica possuía dois setores: Fabricação de gelo e armazenamento e exportação.
Na fabricação, a água era distribuída por gravidade em 44 talhões, formando camadas finas de gelo de 10 a 12cm, no armazenamento era partido com um
calce de calceteiro e conservado nos silos, depois prensado em blocos, enrolado em palha e serapilheira, sendo transportado no dorso dos burros até ao rio, seguindo 12h de barco até Lisboa, destinando-se ao deleite da burguesia, e ainda locais como o Hospital de Todos-os-Santos, cafés lisboetas, sendo armazenado na Casa do Gelo, hoje Café Martinho da Arcada.
O trabalho era extremamente duro, exigindo grande esforço físico, quase comparável a trabalho escravo. Se chovia não há gelo. Quando havia, era a população de Pragança chamada por um búzio, que comunicava com as outras populações pelo mesmo meio.
Quando o grande silo estava cheio, dizia-se que era como o pequeno silo estar cheio de moedas de ouro, tal era o seu valor na época.
Mais tarde com a concorrência estrangeira e a invenção dos frigoríficos, por volta de 1840, o negócio entrou em declínio e ficou abandonado durante 100 anos.
Subimos a Serra até à Capela da Senhora das Neves ladeada pelo antigo Convento Dominicano e Capela de São João Batista, e fomos até á Capela de Santo António das Neves, de onde com uma vista magnifica de 360º sobre o Concelho do Cadaval, podemos observar o Rio Tejo no horizonte. Conta-se que após a missa nesta capela, os trabalhadores seguiam diretamente para o trabalho da neve.
Descemos para um extraordinário almoço no restaurante D. Nuno, na vila de Alenquer, com uma belíssima carne que se desfazia na boca e todos muito atenciosos
Em Alenquer a Prof.ª Mariana falou das várias tradições desta vila, sendo as mais importantes "A Noite de Reis e a Festa do Divino Espírito Santo".
Na Noite de Reis as pessoas cantam pelas ruas e pintam figuras relacionadas com os Reis Magos, as profissões do morador das casas ou seus filhos, em flores com as cores azul e vermelha simbolizando os Bons Reis, mas também os valores Republicanos.
Outra tradição o "Bodo" e a Festa do Divino Espírito Santo é realizada no último fim-de-semana de Maio, com um almoço partilhado com os mais desfavorecidos, continuando a tradição da Rainha Santa Isabel aquando da sua passagem por esta vila. o Símbolo desta festa é uma pomba com uma coroa
e espada trespassada.
Alenquer também é conhecida pelo grande presépio, construído pela população em agradecimento dos sobreviventes das cheias do Tejo em 1967.
Em Alenquer visitámos a Igreja de Santa Maria da Várzea, construída em 1203 paredes meias com a antiga Judiaria no centro histórico da vila, onde encontramos o espaço de memória relacionado com a vítimas da Inquisição e do grande humanista português Damião de Gois batizado em 1502 nesta Igreja e, também ele vítima da Inquisição, a par com cristãos-novos e judeus, por na sua "crónica de D. Manuel" relatar o massacre de Lisboa em 1506, e como viajante que era, poder ter influências de Lutero, sendo julgado e acusado pela inquisição e
sepultado na capela-mor desta Igreja em 1574, com direito de compra por escritura lavrada.
Descemos até à Casa Museu do pintor de artes figurativas, João Mário, com 800 obras expostas, suas e de artistas contemporâneos nacionais e internacionais, e onde estão representadas várias pinturas e esculturas ligadas ao percurso de vida do artista, recentemente falecido (26-02-2025).
Curiosidades Regionais:
Ao longo do percurso de volta a casa, ainda houve tempo para uma breve explicação sobre várias curiosidades dos costumas e economia da região, visíveis nas rotundas por onde passámos.
- O Montijo é conhecido como "Capital das flores", celebrando a festa das flores onde a gerbera é rainha.
- No Porto Alto existem armazéns de materiais vindos da China.
- A região Oeste destaca-se pela produção de vinho, arroz, tomate e melão.
- A Companhia das Lezírias está ligada à criação de gado bravo e à carne de touro.
- Ferreira do Zêzere é conhecida como a capital do ovo.
E como era quinta-feira da Espiga, associámos o provérbio: "Da Páscoa à Ascensão, quarenta dias vão".
Toda a visita foi muito enriquecedora, permitiu-nos saber a importância das florestas e do ambiente, do património histórico, das tradições culturais únicas e a relação entre o Rio Tejo, a agricultura e o modo de vida das populações ancestrais.
Anita Fernandes



































































