Visita Estudo a Dornes e Tomar

O ano letivo está a terminar e a turma de Questões Ambientais II da professora Mariana Mareco realizou como despedida no dia 15 de junho 2022 uma visita de estudo a Dornes e Tomar.
Partimos em direção Dornes, uma localidade peninsular pertencente ao conselho de Ferreira do Zêzere, com uma Torre Templária pentagonal erguida no séc. XII sob uma base de uma antiga torre romana para defesa da região pelos templários durante a reconquista cristã.
Tem também uma Igreja mandada erguer pela rainha Santa Isabel nos finais do séc. XIII dedicada à Nossa Senhora do Pranto, ou das Dores. Sofreu diversas reconstruções nos séculos XV, XVII e XVIII, sendo a atual edificação mandada construir por D. Gonçalo de Sousa, comendador da comenda-mor da ordem de Cristo, em 1453. Esta igreja é de nave única com destaque para os azulejos do séc. XVI, retábulo-mor em talha dourada séc. XVII, ostentando a imagem em pedra da nossa senhora do séc. XVI e órgão de tubos do séc. XVII.
Depois de um passeio de barco e após almoço, partimos em direção a Tomar, cidade pré-histórica, com o nome romano de Sellium a partir do seculo I d.C., tomada por D. Afonso Henriques em 1147, com a ajuda da ordem dos templários, ficando eles responsáveis pela defesa do território entre Rio Mondego e Rio Tejo. Em 1160 os Templários estabelecem a sua sede na cidade de Tomar por ordem do grão-mestre Dom Gualdim Pais.
A primeira visita foi à Capela de Santa Iria, pertencente ao convento com o mesmo nome, mandada construir na segunda metade do séc. XV, por João de Castilho o arquiteto e mestre de obras hispano-português que participou noutras construções como Convento de Cristo e Mosteiro dos Jerónimos, junto às margens do rio Nabão, no local onde teve lugar a martírio de Santa Iria. Reza a lenda que Iria, uma jovem foi enviada para o convento de onde só saía para ir à missa ou rezar. Britaldo, um jovem nobre encantou-se pela sua beleza e quis casar com ela e ao mesmo tempo o Frei Remígio se rendia aos seus encantos, fazendo avanços inapropriados. Devido a esta rejeição, o frade lançou o boato de que a jovem Iria estaria de esperanças e devido a esta suposta traição, Britaldo ordenou que a matassem, enquanto Iria rezava. O seu Corpo foi colocado num caixão levado pelo rio até Santarém.
É constituída por uma única nave ornamentada por azulejos de ponta-de-diamante, e teto em caixotão, porta manuelina e capela-mor dedicada ao Espírito Santo. O altar é em pedra Ançã e é atribuído a João de Ruão.
Seguiu-se a visita à Fundição Tomarense, localizada na Levada de Tomar, lugar que laborou desde o final do séc. XIX até 2005. Esta levada (desvio de água) surge no final do séc. XII e usava a força motriz da água, a partir do rio Nabão, para moagem de cereais e laborou até ao séc. XVII. No séc. XIX é convertida em complexo industrial tendo dado lugar à Central Elétrica fonte de alimentação da fábrica de moagem, mas também responsável pela iluminação da cidade. Na década de 1950, Tomar passou a estar ligada ao fornecimento da barragem de Castelo de Bode, ficando a central apenas ligada ao funcionamento da moagem. De referir que cidade foi a 5ª localidade do país a ter luz elétrica.
Ao final da tarde deu-se uma caminhada pelas ruas da parte antiga de Tomar, onde rumamos à Sinagoga, templo hebraico proto renascença, o único existente em Portugal. Situada na antiga judiaria em pleno centro histórico, a comunidade judaica remonta ao início séc. XIV, quando aqui se instalou ao serviço da Ordem do Templo e, mais tarde, da sua sucessora, a Ordem de Cristo. Edifício quadrangular com teto composto por 9 abobadas levemente ogivais assente em 4 pilares (representando as 4 matriarcas), dividida em 3 naves semelhantes às outras sinagogas sefarditas quatrocentistas. Para uma melhor acústica, foram colocados nas paredes dos cantos 8 bilhas de barro viradas ao contrário. Tem uma porta em arco quebrado virado para nascente, sendo esta a porta principal do templo. Foi edificada no séc. XV e encerrada em 1496, aquando da expulsão dos Judeus, é convertida em prisão. Entre finais do séc. XVI e início do séc. XVII, o edifício passou a ser local de culto cristão como Ermida de S. Bartolomeu. No séc. XIX o templo foi utilizado como palheiro, adega e armazém de mercearia. Em 1921 foi classificada como Monumento Nacional Samuel Schwarz, judeu polaco investigador da cultura hebraica, sendo posteriormente doada ao governo português em 1939, para albergar o Museu Luso-Hebraico Abraão Zacuto.
Como é hábito, no nosso percurso de autocarro e em todas as nossas caminhadas, a professora Mariana Mareco foi-nos falando (como sempre faz) de tudo o que íamos observando e visitando com a sua alta sabedoria e conhecimento.
Regressamos ao fim do dia um pouco cansados, mas mais ricos em experiências e conhecimentos.
Obrigada à professora Mariana Mareco e aos nossos colegas que nos proporcionaram um passeio alegre, divertido e inesquecível.
Texto de Cristina Monteiro

 

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