Museu Neo-Realismo e Exposição cheias de 67

Visita de Estudo Educação Ambiental I a Vila Franca de Xira

No passado dia 11 de março 2020, a turma de Educação Ambiental I – prof. Mariana Mareco, realizou uma visita de estudo a Vila Franca de Xira ao “Museu do Neo-Realismo” e à “Exposição sobre as Cheias de 67”.

Museu do Neo-Realismo

Movimento artístico, literário e filosófico que floresceu no pós-guerra, propondo uma revalorização do realismo tradicional e que, inspirado no materialismo dialético, procurava representar e dar voz aos anseios das camadas proletárias.

Pela sua importância no programa inaugural do Museu do Neo-Realismo, Batalha pelo Conteúdo – movimento neo-realista português ocupa a totalidade dos pisos 2 e 3 do novo edifício, estando a sua exposição dividida por épocas cronológicas de afirmação do movimento literário neo-realista, aparecendo ainda um conjunto complementar de áreas temáticas autónomas: três no piso 2 (censura, música e artes plásticas) e duas no piso 3 (cinema e teatro).

Investigar e apresentar o movimento neo-realista para preservar e dignificar décadas de criação artística e cultural e de intervenção política e social de um dos movimentos culturais mais decisivos do século XX português, é um dos grandes objetivos deste museu temático. O museu que inicialmente evoluiu em torno dos arquivos e área bibliográfica do movimento neo-realista, está estruturado em dois grandes polos: o Centro de Documentação que engloba a biblioteca, a coleção de espólios de autores significativos do movimento neo-realista e uma coleção de artes plásticas e um Espaço Expositivo de Rui Filipe.

“Em Busca do Absoluto” parte de um conjunto de obras que se encontram em depósito no Museu do Neo-Realismo, associados ao vasto espólio artístico, predominantemente documental, sobre a vida e percurso de Rui Filipe e cuja doação ao Museu do Neo-Realismo foi recentemente concretizada pelos herdeiros do artista.

Trata-se de uma exposição antológica, que dá enfoque à sua relação com a cultura visual neo-realista, e que pretende resgatar no tempo o percurso de mais de 50 anos de criação artística nas diversas geografias que o pintor percorreu, com fortes reminiscências à terra natal, Moçambique.

Seguimos para O Museu Municipal de V F de Xira que apresenta uma importante exposição dedicada às “Cheias de 1967”.

“Cheias de 67” é o título de uma grande exposição inaugurada, neste mês de dezembro, no Celeiro da Patriarcal, em V F de Xira. Resulta de dois anos de investigação e de recolha documental e revela muitas imagens e alguns documentos desconhecidos dos portugueses. É o caso de um conjunto de fotografias do inglês Terence Spencer, que na altura não foram divulgadas em Portugal. Reúne, também, 25 depoimentos de pessoas que de alguma forma viveram a tragédia de novembro de 1967.

A exposição tem o Alto Patrocínio do Presidente da República e curadoria do jornalista e nosso professor da Unisseixal Joaquim Letria que, na manhã de 26 de novembro de 1967, foi o primeiro repórter a chegar ao Lugar das Quintas. O então jovem jornalista do Diário de Lisboa não estava preparado para o que encontrou e quando questionado sobre isso não consegue travar algumas lágrimas. “Sabíamos que estava ali uma terra que estava isolada, mas não fazíamos ideia do que íamos encontrar”.

O concelho de Vila Franca de Xira foi o mais afetado e só no Lugar das Quintas, uma pequena aldeia da freguesia de Castanheira do Ribatejo atravessada pelo Rio Grande da Pipa, morreram 89 dos cerca de 150 habitantes. Segundo registos do Instituto de Meteorologia, a tromba de água que caiu sobre a região em poucas horas terá sido a maior do século e os danos estenderam-se de Cascais até Alenquer e Arruda. Em poucas horas choveu mais do que seria normal num mês de novembro.

Mas a falta de comunicações e de iluminação pública fizeram com que a população de aldeias como as Quintas fosse “apanhada” pelas cheias enquanto dormia. A água subiu rapidamente três/quatro metros nas zonas mais baixas do lugar e raros foram os que conseguiram escapar com vida.

Esta será também a oportunidade para prestar a justa homenagem a todas as vítimas daquela tragédia, em particular as do Lugar das Quintas, na Castanheira do Ribatejo, Alverca do Ribatejo e Alhandra, localidades que no Município de V F de Xira foram então particularmente atingidas.

Nesta visita fomos acompanhados por um técnico da Câmara Municipal de V F de Xira, (Nuno Dionísio) que nos elucidou sobre toda a exposição e respondeu a todas as questões que lhe foram levantadas.

Obrigada à Câmara Municipal de V F de Xira e à Professora Mariana Mareco, nossa reitora, por nos terem proporcionado estas duas magníficas visitas.

Bárbara Maia

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