Visita de Estudo Questões Ambientais I

Realizou-se no passado dia 31 de janeiro de 2024, mais uma visita de estudo da turma de Questões Ambientais I - professora Mariana Mareco ao Museu de Eletricidade e ao MAAT para visitarmos  a exposição de Joana Vasconcelos – PLUG-IN.

A Central Tejo está instalada num edifício que é um exemplar único da arquitetura industrial da primeira metade do século XX em Portugal. O edifício, classificado como Imóvel de Interesse Público em 1986, apresenta uma imponente estrutura de ferro revestida a tijolo, e revela nas suas fachadas diversos estilos artísticos, desde a arte nova ao classicismo.

Este é um exemplo soberbo da arquitetura industrial do início do século XX, que nos conta como é um dia na central termoelétrica que aqui operou até 1951, responsável por abastecer a grande Lisboa. Mas não só do passado se vive, também aqui se vive o presente e o futuro. O Museu da Eletricidade recebe exposições que, de uma forma ou outra, tentam na sua maioria conjugar a arte com a ciência.

O Museu da Eletricidade e o MAAT pertencem à Fundação EDP

Está situado na zona de Belém, em terrenos conquistados por Lisboa ao rio Tejo no final do século XIX, numa das zonas de maior monumentalidade histórica da cidade onde podemos encontrar, entre outros, o Mosteiro dos Jerónimos, o Centro Cultural de Belém, a Torre de Belém, o Padrão dos Descobrimentos, o Palácio e Museu da Presidência da República Portuguesa, ou a Cordoaria Nacional.

A sua abertura como Museu deu-se em 1990. Passados dez anos, o Museu da Eletricidade passou por um novo período de reabilitação dos seus edifícios e equipamentos, para reabrir ao público em 2006

A visita passou pelos espaços dedicados às exposições temporárias, que recebem projetos artísticos, como fotografia, pintura, escultura, etc.

Encontra-se patente uma exposição “Álbum de Família” obras da coleção Fundação Carmona e Costa que reúne a mais extensa coleção privada portuguesa que será apresentada, pela primeira vez, ao público e à crítica.

É como representação da ideia de nuvem digital, que se deve perceber o conceito que preside à peça cenográfica através da qual Pedro Calapez deu consistência física (analógica e artística) ao armazenamento de conhecimento proporcionado pelas mais de duas centenas de obras aqui apresentadas. Calapez guiou-se por carateres cromáticos, de dimensão e volumetria diversos de modo a criar entre cada unidade uma dinâmica puramente plástica e abstrata. Mas, ao mesmo tempo, ao apresentar-se carregada de informação aleatoriamente distribuída a peça coloca-nos perante um enorme labirinto visual, perante o impossível ou incompleto desejo de saber, de tocar, de folhear.

A exposição de Joana Vasconcelos – PLUG-IN, tem lugar em ambos os edifícios do museu, agora designados como MAAT Central e MAAT Gallery. No primeiro, a artista apresenta a "Árvore da Vida", criada no contexto da Temporada Cruzada Portugal-França e adaptada agora à Central Tejo e no seu exterior duas peças que marcaram presença no Guggenheim Museum de Bilbau são apresentadas pela primeira vez em Lisboa: a máscara de espelhos popularizada com o título I’ll Be Your Mirror e o gigantesco anel Solitário, que está instalado no exterior do MAAT Gallery.

A “Árvore da Vida” (2023), criada pelos artesãos do ateliê usando materiais reciclados durante os bloqueios da Covid-19 em 2020-21, foi apresentada pela primeira vez na Saint-Chapelle de Vincennes, em Paris, através da participação de Joana Vasconcelos no programa Saison France-Portugal 2022. Possui aproximadamente 354 galhos, 140 mil folhas, sendo 10 mil iluminadas por Leeds, e uma estrutura de 13 metros de altura, inteiramente bordada à mão.

Embora a magnitude da “Árvore da Vida” possa hipnotizar a maioria dos visitantes, só quando chegam ao interior do novo edifício “MAAT Gallery”, diante de uma das grandes peças de Joana Vasconcelos – a maior da sua série, a Valquíria – é que ficam atordoados.

Da Ásia chega a escultura têxtil Valkyrie Octopus criada em 2015 para o resort MGM Macau, pela primeira vez na Europa, agora na Galeria Oval.

Numa época em que tanto se fala em desligar, Joana Vasconcelos apresenta-nos a sua Exposição PLUG-IN nos edifícios e arredores do MAATMuseu de Arte, Arquitetura e Tecnologia. A exposição remete-nos para alguns dos seus memoráveis ​​trabalhos recentes e para a sua longa relação com a Fundação EDP. 

O “Polvo Valquíria” (2015) tem muitos braços com nomes de alguns dos bairros mais famosos de Lisboa. Foi encomendado especialmente para a MGM Macau durante o 25º Aniversário da RAE de Macau. Uma escultura com aproximadamente 35 metros de comprimento, 20 metros  de altura, 1.200 quilos, e mais de 4.000 metros de tecido bordado, com diversos padrões e Luzes LED.

Espalhando-nos pela grande área do Museu, não podemos fugir à sensação de quão pequenos somos no meio de tamanha grandiosidade. A quantidade de detalhes, artesanato e tecnologia misturados é surpreendente. Ao mesmo tempo, a excitação se transforma em calma, como se o tempo tivesse parado, obrigando o visitante a percorrer cada parte da peça, admirando os milhares de detalhes, perdido em transe.

No MAAT Gallery, pudemos visitar ainda as seguintes obras:

Drag Race (2023), que estabelece um diálogo com War Games, duas viaturas convencionais transformadas em obras de arte, a primeira um  Porsche 911 Targa Carrera esculpido em madeira pelos artesãos do Mosteiro de São Martinho de Tibães em Braga, Portugal, e muitos motivos finos de ouro e metal exuberantemente ornamentada com talha dourada e plumas que nos remete para as carruagens das Embaixadas de D. João V, e, a partir daí, para a apropriação do ouro brasileiro ou para jogos de influência política internacional. O luxo, a luxúria e a associação a Portugal como colonizador.

A segunda “War Games esta peça apresenta um carro Morris Oxford preto dos anos 1960 coberta com espingardas brinquedo e recheada com bonecos de peluche, remete-nos para os trabalhos de pendor mais interventivo da artista. Esta obra evoca a cadeia de violência global a que as crianças não são imunes e funciona como um libelo pacifista, marcados pela ameaça iminente de muitas guerras e pelas realidades angustiantes da destruição da Ucrânia e de Gaza, para citar apenas algumas.

O “Strangers in the Night” (2000), com os seus muitos faróis e alusões às possibilidades e aventuras durante a noite, emite em continuo, uma canção de Sinatra e recebe dela o título. O décor interior e uma cabine de peep-show em napa branca aberta ao espectador forrada exteriormente de farolins de carros que piscam continuamente, fala-nos apenas de carros rodando na noite, de homens procurando os amores baratos e fortuitos e uma qualquer mulher ausente de cena.

As obras de Joana Vasconcelos podem não agradar a todos. No entanto, ela pode fazer parte de muitas dimensões e tem “prazer em dizer que, no final, não importa em que dimensão ou meio, todos queremos conectar-nos e trazer consciência ao mundo”.

De regresso para o autocarro um pouco cansados, mas mais ricos em experiências e conhecimentos, passamos pela célebre Fábrica dos Pasteis de Belém e pelo Beco do Chão Salgado onde existiu, até meados do século XVIII, o palácio do Duque de Aveiro, que foi destruído e o terreno salgado para nada mais crescer.

Ali encontra-se o Padrão ou Obelisco do Chão Salgado, tem cerca de cinco metros de altura, é de pedra e a coluna está rodeada de cinco anéis. A coluna assenta numa pedra quadrangular que numa das faces tem uma longa inscrição.

O duque de Aveiro foi acusado de ser o autor do disparo contra o rei D. José em 1758 e pagou com a vida. O rei teria sido vitima de um atentado após um encontro amoroso com uma mulher da família dos Távoras.

O Marquês de Pombal foi rápido na execução do processo. No dia 4 de janeiro foi constituído o tribunal, uma semana depois foi lida a sentença e a 13 de janeiro foram executados o duque de Aveiro e a família, os marqueses de Távora e os condes de Atouguia.

Obrigada à professora Mariana Mareco pela visita que nos proporcionou.

BM/AM

Fotos da visita de Estudo ao MAAT - Exposição Joana Vasconcelos

2 pensaram em “Visita de Estudo Questões Ambientais I

  1. Está aqui um trabalho digno de ser visto, para além das obras expostas de Joana Vasconcelos, parabéns aos alunos e professora e em especial aos Maias pela bela reportagem e apresentação desta obra…fica aqui o registo no blog da turma para quem não pode estar presente que é o meu caso. Obrigada a todos. LB

  2. Parabéns à Barbara e Alberto Maia pelo vosso enorme trabalho e cuidado que tiveram nesta publicação.
    Textos bem descritivos das peças e fotos com bons enquadramentos que nos prendem a cada momento da visita.
    Obrigado pela vossa dedicação.
    Um Abraço
    Zé Capelo

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